Sintomas persistentes atingem alguns pacientes após cura da COVID-19

Quem sentiu os sintomas do novo coronavírus sabe como eles podem ser incômodos e desagradáveis. Entretanto, uma vez que a pessoa vence a doença, ela se livra deles, certo? Nem sempre.

Isso porque, para alguns, há sintomas que persistem mesmo após a cura. Resta saber se eles realmente têm alguma ligação direta com a COVID-19.

Em parceria com o grupo de pacientes Survivor Corps, a Escola de Medicina da Universidade Indiana nos Estados Unidos entrevistou parte dessas pessoas. A pesquisa ocorreu em julho de 2020 e recebeu informações de mais de 1,5 mil pessoas.

Alguns relataram enfrentar problemas cardiovasculares e respiratórios persistentes. Porém, o inquérito concluiu que dor articular, erupção cutânea, tontura, confusão, mudanças na visão, depressão e ansiedade também eram comuns.

Além disso, fadiga de longa duração, dificuldade de concentração ou foco e dores musculares e corporais parecem estar especialmente presentes nos sobreviventes do novo coronavírus. Alguns chamam o conjunto de sintomas de “síndrome pós COVID”.

Ela chegou a ser associada com síndrome da fadiga crônica (SFC), no entanto, a maioria das pessoas que desenvolve a tal síndrome pós COVID não atende aos critérios de diagnóstico da SFC.

Por que isso pode acontecer?

Fadiga

Segundo a professora assistente de neurologia da Universidade do Texas nos Estados Unidos, Esther Melamed, não se entende bem por qual motivo as pessoas sentem a fadiga.

Porém, é provável que tenha algo a ver com uma desregulação do sistema imunológico, inflamação contínua no corpo e dano direto ao cérebro ou medula espinhal, que pode interromper a comunicação entre os neurônios, completou.

A professora da divisão de medicina pulmonar e de cuidados críticos da Universidade Johns Hopkins, Ann Parker, afirmou que não é incomum para quem enfrentou uma infecção séria se sentir fraco e com fadiga até meses depois da doença.

Problemas cognitivos e de saúde mental similares ao estresse pós-traumático também podem ser comuns, principalmente para os que passaram um bom tempo na unidade de terapia intensiva.

Casos reais

Ruby Engel, de Nova Iorque, teve um caso bem leve de COVID-19. Porém, desde então, experimentou crises de falta de ar, palpitações e dor no peito. Ela recebeu também um diagnóstico de cardiomiopatia, que é o enfraquecimento do músculo cardíaco.

Além disso, a mulher teve crises de refluxo e asma, doenças que já tinha antes de pegar o novo coronavírus, mas que estavam sob controle.

Outros pacientes até estavam muito doentes ou tinham um problema já existente como obesidade ou diabetes antes de pegar a COVID-19. Mas essa não é uma regra.

O professor de medicina Reynold Panettieri contou que viu atletas treinados sentirem profunda fadiga e exaustão ao fazer exercícios. No entanto, não está claro se qualquer um desses sintomas pós COVID-19 realmente são exclusivos do novo coronavírus.

Ainda é cedo para tirar conclusões

Entretanto, segundo a codiretora da Clínica de Recuperação Respiratória do National Jewish Health, Rebecca Keith, é muito cedo para definir se os problemas acima são específicos da COVID-19.

Por agora, não se sabe quantas pessoas que contraíram a COVID-19 terão problemas de saúde persistentes. Mas a estimativa de Panettieri é que por volta de 10% deles desenvolva um problema crônico.

Embora seja uma minoria entre o bolo de pessoas que pegaram a doença, o índice representa centenas de milhares. Tanto que o número de pacientes que chega à clínica em busca de resposta intriga Keith.

Segundo ela, alguns desses pacientes nunca passaram pela TIO ou hospitalização. Há casos em que as pessoas relatam que não passaram dos sintomas iniciais do novo coronavírus.

Em muitas outras situações, elas acharam que estavam recuperadas. Porém, mais tarde, tiveram um ressurgimento dos sintomas ou desenvolveram novos sintomas, que imaginavam ter uma relação com a COVID-19.

De acordo com Keith, o segredo será diferenciar quais sintomas são de problemas contínuos de saúde que pioraram devido a qualquer doença viral daqueles que têm uma ligação com a COVID-19.

Isso não significa que os efeitos sejam para sempre

De acordo com Panettieri, cada caso é um caso, mas no geral, boa parte dos pacientes com a síndrome pós COVID aparenta melhora. Segundo ele, muitos dos seus pacientes que ficaram bem doentes conseguiram voltar ao normal em três ou quatro meses.

Keith contou que viu tosse crônica, falta de ar, complicações cardiovasculares, doença pulmonar e todo tipo de anormalidades de três a seis meses após a infecção inicial. Entretanto, ela também lembrou que a maioria desses pacientes está melhorando aos poucos.

Você chegou a ter a COVID-19? Seus sintomas duraram muito tempo? Comente abaixo!

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