Posso Ir à Academia Quando a Quarentena Acabar? É Muito Arriscado?

Academia vazia

Desde que a pandemia do novo coronavírus foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que diversas cidades brasileiras adotaram o isolamento social como medida para conter a propagação da COVID-19 (a doença provocada pelo novo coronavírus), diversos estabelecimentos em que ocorre a aglomeração de pessoas precisaram ser fechados.

Isso inevitavelmente incluiu as academias, onde grupos de pessoas se reúnem ao mesmo tempo para praticar exercícios físicos e compartilham acessórios e exercícios de treinamento, configurando um espaço com muitas chances de contágio pelo vírus.

Por natureza, ambientes como as academias tendem a servir de abrigo para germes. Um estudo de pesquisadores dos Estados Unidos, publicado no início de 2020, encontrou bactérias resistentes a medicamentos, vírus da gripe e outros patógenos (organismos causadores de doenças) em aproximadamente 25% das superfícies testadas em quatro instalações de treinamento atlético.

Inclusive, a título de curiosidade, você sabia que um halter de academia tem 362 vezes mais germes que um vaso sanitário, por exemplo?

O chefe de cirurgia ortopédica, médico-chefe da equipe de futebol americano Cleveland Browns e autor sênior do estudo, James Voos, explicou que quando se tem um número de pessoas relativamente alto se exercitando e suando dentro de um espaço contido, existem condições para que doenças contagiosas sejam propagadas com facilidade.

Enquanto esses riscos e a quarentena motivaram muitas pessoas a aderirem aos treinos feitos em casa, não é todo mundo que consegue manter a mesma disciplina e rendimento que tinha na academia ao se exercitar em casa. Para esses, vale a pena conferir esses truques para tornar o seu treino em casa mais eficiente durante a quarentena.

No entanto, mesmo assim a ânsia de retornar aos treinos na academia bate forte, especialmente depois que um decreto presidencial incluiu os salões de beleza, as barbearias e as academias na lista de serviços essenciais no Brasil.

Em tese, os estabelecimentos poderiam começar a reabrir, entretanto, governadores de diversos estados anunciaram que vão manter os locais fechados. Os governadores defendem o isolamento social para evitar a progressão do contágio pelo novo coronavírus e se baseiam em uma decisão de abril do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que são os estados e municípios que devem estabelecer as medidas restritivas de locomoção e coordenação de atividades dentro de suas fronteiras.

Independente da sua cidade já ter permitido a reabertura das academias ou não, uma pergunta que pode pairar na mente de quem pratica exercícios físicos é se será seguro voltar a treinar no local mesmo quando a quarentena acabar e academias de todo o país puderem reabrir.

O problema com os equipamentos

Ao mesmo tempo em que os equipamentos de ginástica são uma superfície de contágio do novo coronavírus, é muito difícil higienizá-las. Por exemplo, os halteres e kettlebells são acessórios com formatos estranhos e que possuem diferentes áreas onde as pessoas podem encostar e segurar, apontou o professor de medicina e diretor do Centro de Gestão Antimicrobiana e Prevenção de Infecção do Centro Médico da Universidade de Duke nos Estados Unidos, Deverick Anderson.

Segundo o professor de medicina, isso significa que vai haver algum risco de transmissão de vírus se e quando as pessoas voltarem a frequentar as academias. Até porque o término ou flexibilização da quarentena, assim como a inclusão das academias na lista de serviços essenciais, infelizmente não significa que a pandemia do novo coronavírus acabou ou até mesmo que foi controlada.

Entretanto, o diretor do Centro de Gestão Antimicrobiana e Prevenção de Infecção da Universidade de Duke afirmou que existem estratégias para diminuir esses riscos. São elas:

1. Desinfetar

Isso significa que os frequentadores da academia devem desinfetar a si mesmo e todos os equipamentos e acessórios tocados por eles no local com muita frequência.

Para isso. é necessário que o estabelecimento providencie uma pia com sabão e papel toalha de fácil acesso para que as pessoas possam lavar bem e secar as mãos com muita frequência, assim como deve instalar um aparelho com álcool em gel na entrada da academia, para que as pessoas possam desinfetar as mãos logo antes de entrar no local, indicou o dono da academia Urban Body Fitness de Atlanta nos Estados Unidos, Radford Slough.

Slough também afirmou que os procedimentos de matrícula das academias não devem envolver o toque e que os funcionários do estabelecimento devem usar equipamentos de proteção como protetores e máscaras faciais, além de contar com estruturas de proteção contra espirros (como as estruturas transparentes que encontramos nas lotéricas), que criem uma barreira de separação entre eles e os alunos.

Todo o espaço da academia também deve ser repleto de sprays com desinfetantes. No entanto, esses desinfetantes precisam ser eficazes o suficiente para eliminar o novo coronavírus.

Conforme o chefe de cirurgia ortopédica e médico-chefe da equipe de futebol americano Cleveland Browns James Voos, os lenços umedecidos que certas academias fornecem não matam a maior partes dos germes.

Mas além do spray desinfetante precisar ser eficiente, também é crucial que ele seja aplicado adequadamente. Antes de aplicar o produto, qualquer sujeira ou poeira presente no objeto ou superfície deverá ser removida. Recomenda-se ainda borrifar o produto e dar um tempo – mais ou menos um minuto – para que ele mate os germes e só depois enxugar.

É esperado que as pessoas que usaram equipamentos ou treinaram em um aparelho anteriormente tenham higienizado-os cuidadosamente depois de finalizar a sua série, entretanto, como não dá para confiar 100%, o ideal é que você mesmo desinfete muito bem qualquer peso, banco, barra e corrimões, puxadores ou qualquer outra área passível de ser tocada dos equipamentos antes e depois de usá-los.

Outro conselho valioso do professor de medicina e diretor do Centro de Gestão Antimicrobiana e Prevenção de Infecção do da Universidade de Duke, Deverick Anderson, é ter várias toalhas limpas a tiracolo na academia. Ele afirmou que deixaria uma toalha no ombro para limpar o suor do rosto e das mãos – evitando assim tocar o rosto o tempo todo – e usaria outra toalha para cobrir o banco ou colchonete de exercícios, de modo que não tivesse contato direto com eles.

Como nem sempre dá para garantir que a desinfecção de todos os equipamentos esteja no maior nível de eficiência, uma solução pode ser evitar ao máximo tocar nas superfícies compartilhadas. Isso pode se traduzir em levar a própria garrafinha de água para não precisar tomar água do bebedouro da academia ou da garrafinha do colega, adquirir os próprios equipamentos (aqueles que podem ser transportados como halteres, barras e kettlebells) e levá-los para o treino na academia, de modo que não precise compartilhá-los com outras pessoas.

2. Distanciar

Isso quer dizer menos gente ao mesmo tempo nas instalações da academia, de modo que uma pessoa possa ficar bem separada da outra. Por exemplo, o dono da academia Urban Body Fitness disse que sua academia permite apenas 30 pessoas por hora nas instalações de aproximadamente 1,3 mil metros quadrados.

Fitas coloridas também são colocadas no chão como marcação de distanciamento de no mínimo aproximadamente dois metros. Esteiras, aparelhos elípticos e bicicletas ergométricas também podem ser vedados ou postos fora de operação, afirmou o professor de medicina da Universidade de Duke, Deverick Anderson.

Além disso, podem ser colocadas separações entre os equipamentos e aparelhos, como indicam as fotos que mostram como as academias poderão ser após a pandemia.

Entretanto, mesmo com a manutenção de um distanciamento apropriado entre as pessoas, a prática de exercícios aeróbicos na academia é problemática, alertou o professor de engenharia civil da Universidade Tecnológica de Eindhoven nos Países Baixos, Bert Blocken.

Blocken, que também atua na Universidade Católica de Lovaina na Bélgica e estuda o fluxo de ar em edifícios e ao redor dos corpos, explicou que esses exercícios representam um risco porque ao respirar profundamente os praticantes espalham muitas gotículas respiratórias.

Como estão dentro de um espaço fechado onde não há vento ou dinâmica para deslocar ou dispersar essas gotículas, elas podem permanecer e cair dentro das instalações da academia, acrescentou o professor de engenharia civil.

É por isso que, conforme Blocken, é muito importante que a academia seja bem ventilada, de preferência por meio de um sistema que renova o ar no interior do local com ar filtrado do exterior. Se a academia não tiver um sistema do tipo, o professor de engenharia civil aconselha que deve-se esperar que haja pelo menos o máximo de ventilação natural, ou seja, janelas bem abertas nas paredes opostas para ajudar a mover o ar de dentro para fora.

3. Conscientizar

Para que as medidas de segurança contra a contaminação surtam efeitos é necessário que os donos das academias preencham o local com banners, posters, quadros e outros avisos didáticos que sirvam de lembrete e expliquem como e por que higienizar, avisou o chefe de cirurgia ortopédica, médico-chefe da equipe de futebol americano Cleveland Browns, James Voos.

Em sua pesquisa sobre micróbios e controle de infecção em instalações de treinamento atlético, foi observado que a prevalência dos germes diminuiu quando os pesquisadores instalaram produtos de limpeza para os frequentadores dos locais. Entretanto, a predominância dos germes se tornou quase nula quando eles começaram a ensinar regularmente como e por que higienizar as mãos e as superfícies.

4. Usar máscaras

A previsão é que haverá outros pontos de discussão a respeito de como manter a segurança contra o novo coronavírus nas academias, como o uso de máscaras, por exemplo. O professor de medicina e diretor do Centro de Gestão Antimicrobiana e Prevenção de Infecção da Universidade de Duke, Deverick Anderson, acredita que poucas pessoas irão usá-las, embora algumas academias possam exigir que os praticantes as utilizem.

O professor de medicina também afirma que elas ficariam rapidamente úmidas durante os treinos na academia, diminuindo os seus benefícios antimicrobianos. Saiba mais a respeito dos cuidados necessários ao fazer exercícios físicos com máscara facial.

No final das contas, se tratará de uma decisão pessoal

Uma vez que as academias da sua cidade tiverem autorização para voltar a funcionar, a decisão de retornar aos treinos no local será pessoal, dependendo de como cada indivíduo avalia o peso dos riscos de contaminação e os benefícios da prática de exercícios físicos no local.

Algo que é necessário ter em mente, caso você realmente opte por treinar na academia quando a quarentena acabar ou assim que elas forem liberadas para reabrir, é que os cuidados de segurança apresentados acima são aplicáveis em um cenário ideal.

Na prática, podem haver limitações em atingir tais medidas, uma vez que não há como controlar o que os outros frequentadores da academia fazem ou como eles levam a sério os cuidados preventivos.

De acordo com o diretor do Centro de Gestão Antimicrobiana e Prevenção de Infecção da Universidade de Duke, os riscos jamais serão nulos, porém, existem muitos benefícios físicos e mentais associados aos treinamentos. Pessoalmente, ele disse que vai voltar à academia e aceitar algum risco, mas também vai ficar alertar quanto aos passos que precisa tomar para atenuar esses perigos.

Já para aqueles que não querem correr risco algum de ser infectado pelo novo coronavírus, mas também não querem perder os benefícios dos exercícios, a alternativa se torna continuar com os exercícios em casa até a pandemia ser erradicada ou melhor controlada.

Fontes e Referências Adicionais:

Você está acostumado a treinar em casa durante essa quarentena ou tem sentido falta da academia? Pretende voltar assim que for liberado? Comente abaixo!

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