Pesquisa Identifica Coronavírus No Ar Em Locais Próximos a Hospitais

Hospital

Desde que a pandemia do novo coronavírus estourou você já deve ter ouvido incontáveis vezes a recomendação para ficar em casa e sair somente em casos de urgência. Uma recente pesquisa chinesa, publicada no final de abril na revista científica Nature, reforçou ainda mais a importância do isolamento social e da quarentena para conter a transmissão do vírus.

Durante o monitoramento ambiental de dois hospitais de Wuhan na China, onde pacientes com COVID-19 – o nome dado à doença provocada pelo novo coronavírus – eram tratados, os responsáveis pelo estudo identificaram a presença de partículas em suspensão do vírus. Elas também foram detectadas em áreas públicas vizinhas aos hospitais e foram encontradas durante os meses de fevereiro e março.

Entretanto, os cientistas responsáveis pela pesquisa ainda não foram capazes de especificar qual o potencial de contaminação do novo coronavírus em suspensão no ar.

Embora os pesquisadores tenham destacado que a quantidade de amostras analisadas foi pequena – foram coletadas 40 amostras de 31 locais -, as descobertas apresentadas são consideradas uma motivação a mais para manter o alerta de evitar aglomerações, ter uma boa ventilação e desinfetar todos os ambientes. Falando nisso, saiba como limpar e desinfetar a sua casa para eliminar o novo coronavírus.

Nos hospitais, a concentração de coronavírus foi maior nas enfermarias do que nos banheiros. A justificativa para isso é que as enfermarias eram isoladas e tinham o ar trocado em um ambiente controlado.

Os locais onde a concentração do vírus foi maior foram as salas em que havia a retirada dos equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos profissionais de saúde. Entretanto, os pesquisadores apontaram que a concentração diminuiu bastante após o aumento da frequência e do rigor da desinfecção desses ambientes.

O novo coronavírus também foi detectado em prédios residenciais e supermercados próximos aos hospitais, ainda que em concentrações mais baixas. No entanto, foi identificada uma concentração elevada do vírus em uma área aberta junto a um dos hospitais, onde passavam mais pessoas. A hipótese levantada é de que muitas desses pessoas estavam contaminadas com a COVID-19.

Outro estudo apontou o risco de transmissão do novo coronavírus pelo ar em locais com má ventilação

Uma prévia de estudo publicada no portal especializado medRvix apontou que clientes de um restaurante da cidade portuária chinesa Guangzhou foram infectados pelo novo coronavírus no final de janeiro, sem que tenham tido contato físico uns com os outros ou com superfícies contaminadas.

No total, foram registrados 10 casos de pessoas infectadas no estabelecimento, que faziam parte de três famílias diferentes.

Os cientistas responsáveis pela pesquisa acreditam que a fala e a respiração de um paciente infectado pelo novo coronavírus foram responsáveis por deixar partículas do vírus suspensas no ar e que essas partículas acabaram circulando por meio de um fluxo produzido por um aparelho de ar condicionado.

A infecção aconteceu em uma zona restrita do restaurante, onde acredita-se que a presença de uma máquina de ventilação artificial teria surtido efeitos contra a infecção.

Apenas um dos clientes do restaurante estava com o novo coronavírus no período. Ele se encontrava assintomático, no entanto, havia acabado de voltar de uma viagem à cidade de Wuhan, também na China, que foi o epicentro do novo coronavírus.

Antes de chegar a essas conclusões, os pesquisadores responsáveis pelo estudo foram ao restaurante nos dias 19 e 20 de março e fizeram uma reconstituição da cena do contágios.

Com base em relatos obtidos por agentes de saúde e dados provenientes de câmeras de segurança, plantas arquitetônicas e dados metereológicos, os estudiosos observaram que as três famílias tinham sentado em mesas enfileiradas umas com as outras e compartilhado a mesma zona de fluxo de ventilação através de um ar condicionado do terceiro andar do restaurante.

A confirmação de como o contágio ocorreu só foi possível devido à utilização de um gás marcador com características de propagação parecidas com a do novo coronavírus. O gás em questão foi emitido no ambiente como se fosse as partículas do vírus expelidas pela fala e respiração do primeiro infectado.

Ainda que o gás marcador tenha se propagado para outras áreas do restaurante com fluxo de ar fornecido por aparelhos de ar condicionado, isso aconteceu em uma escala mais baixa. A conclusão foi que a circulação das partículas do novo coronavírus foi expressiva no terceiro andar, que contava com uma mesma circulação de ar, aglomeração das famílias e uma pessoa assintomática com COVID-19.

As outras pessoas que estavam nos cinco andares do restaurante no período em que houve o contágio – um total de 193 clientes e 57 funcionários – não foram infectados. Nem mesmo os que se encontravam no mesmo andar que as famílias contaminadas. Assim, observou-se que o contágio foi limitado às três mesas ventiladas pelo mesmo aparelho de ar condicionado.

Entretanto, os cientistas responsáveis pela pesquisa entenderam que o fluxo de ventilação promovido pelo ar condicionado ao redor de uma aglomeração não foi o único responsável pela contaminação. Outro culpado apontado pelos pesquisadores foi a ausência de ventilação natural no restaurante.

O alerta trazido por eles refere-se aos riscos de contaminação pelo novo coronavírus em locais fechados, com má ventilação e aglomeração de pessoas. Os cientistas esclarecerem no estudo que os resultados não mostram que a transmissão dos aerossóis do novo coronavírus pode se dar em qualquer ambiente fechado, mas que ela pode acontecer em espaços fechados e mal ventilados.

O conselho dos pesquisadores é que as medidas de restrição de aglomerações permaneçam e que sejam redobrados os cuidados com a ventilação dos ambientes. Portanto, manter as janelas abertas é mandatório na luta contra o novo coronavírus.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores de diferentes instituições da China, como a Universidade de Hong Kong e uma das divisões do Centro de Controle e Prevenção e Doençaso.

Os meios já conhecidos de contaminação do novo coronavírus

É importante destacar que até agora o modo conhecido de transmissão pelo novo coronavírus é de pessoa para pessoa. Segundo o Ministério da Saúde, o contágio ocorre por meio das gotículas expelidas do nariz e da boca de uma pessoa infectada pelo vírus, quando a mesma tosse, espirra ou fala.

Essas gotículas podem ficar depositadas ao longo de horas em objetos ou superfícies. Assim, se outra pessoa encostar nessas objetos ou superfícies contaminadas e levar as mãos aos olhos, boca ou nariz poderá adquirir a COVID-19.

A infecção pelo novo coronavírus também pode ocorrer quando alguém respira diretamente as gotículas expelidas na tosse, espirro ou fala de uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus, ao ficar muito perto do doente. A transmissão ainda pode se dar por meio de um contato direto como toque, aperto de mão ou abraço.

Daí a importância de manter uma distância de dois metros em relação a qualquer pessoa – alguns dos afetados pela COVID-19 não têm sintomas e não há testes para todos, logo não dá para saber com certeza quem tem ou quem não tem a doença – e de higienizar as mãos com frequência, lavando muito bem as mãos com água e sabão por 20 segundos ou passando álcool em gel 70%.

No entanto, o contágio do novo coronavírus pelo ar ainda não foi comprovado. Portanto, antes de afirmarmos que isso acontece precisamos esperar os resultados de novas pesquisas científicas.

Fontes e Referências Adicionais:

Você vive em algum local perto de hospitais? Está tendo os cuidados para prevenir o novo coronavírus redobrados? Comente abaixo!

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