O Que Pode Acontecer No Organismo Após Recuperar-se da COVID-19?

Coronavírus

Enquanto fazemos tudo o que podemos para nos proteger contra a COVID-19, ouvimos notícias a respeito do que o novo coronavírus pode provocar no organismo de uma pessoa e das mortes causadas por ele, você já parou para pensar no que pode ocorrer no corpo de uma pessoa depois que ela vence a COVID-19?

Em artigo publicado em maio no site WebMD, a médica de medicina interna e editora médica Neha Pathak afirmou que os médicos ainda estão começando a entender como é a recuperação da COVID-19 e a descobrir se a doença causa problemas físicos ou mentais de longo prazo aos sobreviventes.

Maioria deve ter recuperação completa, mas casos graves levantam preocupações

A editora médica conversou com o especialista em doenças infecciosas e professor de epidemiologia da Universidade Emory, nos Estados Unidos, Carlos del Rio, que afirmou que mais de 80% das pessoas não têm um caso severo de COVID-19, então a maioria vai se recuperar completamente.

Entretanto, o especialista também apontou que quando se trata da pequena porcentagem de pacientes com sintomas severos e críticos, existe uma preocupação sobre o impacto  no longo prazo da COVID-19 em relação aos pulmões e outros órgãos.

Embora os médicos não entendam completamente como isso será, eles têm observado uma lista crescente de impactos decorrentes da COVID-19 que vão além dos problemas respiratórios, destacou Pathak.

Segundo a médica de medicina interna, isso inclui problemas no sistema digestivo, no coração, nos rins, no fígado, nos nervos, na pele e nos vasos sanguíneos. “Para pessoas com caso severo e crítico, perigosas respostas no sistema imunológico e na coagulação sanguínea também podem causar muitos danos no corpo e resultar em efeitos de longo prazo para a saúde”, completou a editora médica. Inclusive, um estudo apontou que a obesidade aumenta as chances de coágulos sanguíneos perigosos em pacientes com COVID-19.

Em alguns casos, as complicações da COVID-19 poderão ser dano renal que exige fazer diálise por bastante tempo, acidente vascular cerebral (AVC) e coágulos sanguíneos que causam deficiência e problemas no pulmão que diminuem permanentemente a função pulmonar, descreveu Pathak.

O próprio tratamento da doença causada pelo novo coronavírus, como passar um tempo no ventilador pulmonar, ficar na unidade de terapia intensiva (UTI) ou usar certos medicamentos, também pode provocar danos permanentes, disse a médica de medicina interna. “Resta ver se esses efeitos se resolvem ou deixam danos”, completou a editora médica.

É importante destacar que, segundo Pathak, embora todo mundo possa ter o risco de desenvolver um caso grave de COVID-19, os mais atingidos parecem ser os idosos, as pessoas com múltiplos problemas de saúde como doença no coração, diabetes e obesidade e os homens. Os doentes crônicos também fazem parte do grupo de risco do novo coronavírus.

“Os cientistas ainda estão investigando as coisas que tornam as pessoas mais suscetíveis, incluindo diferenças ambientais, genéticas, de gênero, hormonais e até mesmo no micriobioma intestinal”, acrescentou a editora médica.

Mesmo casos leves podem apresentar anormalidades

Pathak citou ainda um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e da China, que analisou pacientes com COVID-19 da cidade chinesa Shenzen. Na pesquisa, todas as pessoas que testaram positivo para o novo coronavírus foram isoladas em um hospital, independente de apresentar sintomas leves ou severos da COVID-19.

Os pesquisadores identificaram que as pessoas com caso leve podem apresentar testes anormais, mesmo que nunca progridam para um quadro mais grave: entre os pacientes analisados pelo estudo, 47% das pessoas com caso leve e 61% dos pacientes com caso moderado apresentaram anormalidades em testes de função hepática, o que é indicativo de lesão no fígado durante a doença.

No entanto, a pesquisa foi publicada como um preprint, ou seja, se trata de um projeto científico que ainda não havia sido revisado por especialistas ou publicado em um periódico científico (até a data do artigo de Pathak: 13 de maio).

“Outro estudo pequeno identificou que 50% das pessoas que não tiveram sintomas tiveram resultados anormais em testes de imagem que mostraram danos nos pulmões, mesmo sem sintomas pulmonares”, apontou a médica de medicina interna.

A editora médica relatou ainda que médicos têm observado que crianças saudáveis que tiveram caso leve da doença ou não apresentaram sintomas, semanas mais tarde podem desenvolver a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, uma condição similar à doença de Kawasaki, uma condição inflamatória aguda caractezida pela inflamação dos vasos sanguíneos.

“Essa condição pode ser devido a uma resposta atrasada do sistema imunológico que inflama múltiplos sistemas de órgãos, incluindo os vasos sanguíneos, e pode gerar complicações severas. Enquando a maioria das crianças se recupera da doença de Kawasaki, ela pode causar dano cardíaco de longo prazo e os médicos não sabem quais efeitos essa nova síndrome terá”, explicou a médica de medicina interna.

Em relação às complicações de casos de leves de COVID-19, como a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, o especialista em doenças infecciosas del Rio disse que não acredita-se que ela seja comum, porém, ainda não se sabe ao certo.

Reaprendizado após saída do hospital

Ao serem liberados do hospital, os pacientes recuperados de casos graves de COVID-19 podem precisar reaprender a fazer atividades básicas do dia a dia, como demonstraram dois exemplos mencionados por Pathak.

O primeiro foi Gregg Garfield de 54 anos de idade: ele ficou 64 dias no hospital, passou 31 dias em um ventilador pulmonar, teve dano nos rins, seus pulmões colapsaram em quatro lugares diferentes, precisou reaprender a caminhar e retornou para casa com um andador.

O segundo foi Brian Robinson de 53 anos de idade, que também passou um tempo no ventilador pulmonar, teve insuficiência renal, ficou hospitalizados ao longo de 42 dias e teve que reaprender a comer, engolir, conversar e andar. Com informações da Universidade Johns Hopkins dos Estados Unidos.

Fontes e Referências Adicionais:

Você conhece alguém que já se recuperou da COVID-19 ou você mesmo já passou por isso? Tem sentido problemas físicos ou mentais depois? Comente abaixo!

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