Estudo Sugere que Ingredientes nos Enxaguantes Bucais Podem Atacar o Coronavírus, Mas Produto Não Substitui Medidas de Prevenção

Enxaguante bucal

É difícil encontrar alguém que não conheça as principais medidas de prevenção contra a COVID-19, a doença provocada pelo novo coronavírus: sair apenas em casos de necessidade, usar corretamente máscaras faciais de pano sempre que precisar sair de casa, lavar muito bem as mãos com água e sabão ou passar álcool em gel 70% várias vezes ao dia e manter uma distância de dois metros em relação às outras pessoas, entre outros cuidados.

Conforme os pesquisadores produzem novos estudos acerca do vírus, novas hipóteses vão surgindo. Por exemplo, uma pesquisa de 14 de maio sugeriu que ingredientes encontrados em enxaguantes bucais poderiam danificar o novo coronavírus, inativando-o.

O estudo, que foi publicado no periódico online Function, apontou que existe uma necessidade urgente de que experimentos clínicos testem a possibilidade levantada. Mas até que isso aconteça e que a hipótese seja comprovada, nenhuma medida de prevenção contra o novo coronavírus deve ser substituída pelos enxaguantes bucais.

Hipótese carece de comprovação

A autora líder do estudo de 14 de maio, Valerie O’Donell, contou que ela e sua equipe descobriram evidências oriundas de outras pesquisas de que vírus como influenza (gripe), herpes simplex (herpes) e outros coronavírus são sensíveis a ingredientes comuns de enxaguantes bucais.

Entretanto, a pesquisadora alertou que essa evidência é oriunda de experimentos com tubos de ensaio, não de estudos conduzidos diretamente na boca, onde a resposta poderia ser diferente. Ela também ressaltou que foram conduzidos poucos trabalhos acerca do tema.

“É importante observar que não foram feitos estudos nesse coronavírus (o causador da COVID-19) porque ele é novo”, avisou O’Donell, que também é diretora da divisão de infecção e imunidade e codiretora do Instituto de Pesquisa dos Sistemas Imunitários da Universidade Cardiff no País de Gales.

A pesquisadora até mencionou que já existem recomendações para que os dentistas deem enxaguantes bucais aos pacientes antes de realizar algum procedimento neles para prevenir a transmissão de doenças respiratórias. No entanto, a orientação é baseada em benefícios hipotéticos e não foi comprovada por testes clínicos, que ainda precisam ser conduzidos.

“É aí que a pesquisa precisa ser feita, primeiro para descobrir se esses ingredientes (do enxaguante bucal) podem inativar o vírus na garganta e, se eles puderem, se isso pode reduzir a transmissão”, completou a codiretora do Instituto de Pesquisa dos Sistemas Imunitários da Universidade Cardiff.

Pesquisador que estuda a COVID-19 alerta que enxaguantes bucal não previnem ou curam a COVID-19

O professor assistente de biologia da Universidade do Alasca Anchorage nos Estados Unidos, Eric Bortz, está pesquisando o sequenciamento do genoma da COVID-19 e deu a sua opinião sobre o assunto. Segundo ele, há potencial para que o enxaguante bucal com álcool talvez reduza levemente a propagação de vírus a contatos próximos.

“O álcool pode matar temporariamente o vírus em superfícies da boca. (Mas) se alguém está ativamente infectado, as células na garganta logo produzirão mais vírus”, acrescentou Bortz. Falando em álcool, é importante saber que a vodka não funciona como um higienizador de mãos contra o novo coronavírus!

Mas voltando ao assunto, o professor assistente de biologia afirmou que os tecidos respiratórios superiores e inferiores são muito frequentemente infectados e podem produzir vírus transmissíveis. Bortz explicou ainda que o coronavírus sobrevive principalmente dentro de células no trato respiratório, não apenas na boca.

“Então, para a maioria das pessoas com coronavírus, o enxaguante bucal vai ter valor limitado para prevenir a disseminação da COVID-19”, acrescentou o pesquisador. Ele salientou que os enxaguantes bucais não vão curar ninguém da COVID-19 ou prevenir a infecção pelo coronavírus.

Tanto que a empresa Listerine, que produz enxaguantes bucais, emitiu uma declaração alertando que o seu produto não foi testado contra o novo coronavírus e que ele não é destinado para a prevenção ou tratamento da COVID-19.

Por fim, apesar de ter afirmado que qualquer coisa que mata um vírus em um teste de tubo de ensaio possa matar o vírus na boca, Bortz alertou que isso não significa que essa coisa deva ser utilizada na primeira linha de defesa. “Coberturas faciais (máscaras), distanciamento social e limitar o contato são as melhoras medidas de saúde pública (para a prevenção da COVID-19)”, ressaltou o pesquisador.

Além dos cuidados citados, a lista de medidas preventivas contra a COVID-19 também inclui cobrir o rosto com um lenço descartável ou com o antebraço ao tossir e espirrar, não tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos, evitar contato direto como beijos, abraços e apertos de mão com outras pessoas, manter os ambientes bem ventilados, não compartilhar objetos de uso pessoal como talheres, pratos, copos e garrafas e evitar sair de casa sem necessidade.

Fontes e Referências Adicionais:

Você tem seguido as diretrizes de prevenção para a COVID-19? Arriscaria usar enxaguantes bucais para combater o coronavírus? Comente abaixo!

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