Comportamento sedentário e obesidade: os impactos na qualidade de vida

O Conteúdo

A modernidade trouxe consigo uma série de comodidades à sociedade. Muitas tarefas antigamente consideradas árduas, com elevada necessidade de produção de força, demanda de tempo e energética (Kcal), hoje parecem brincadeira de criança.

São inegáveis os benefícios da automação, da inteligência artificial e de todos os demais avanços tecnológicos mediados pela evolução. Entretanto, hoje temos observado, de maneira geral, um elevado comportamento sedentário e inatividade física na população. Isto, é claro, está relacionado a importantes impactos negativos sobre a saúde.

Outro quadro que está tendo um crescimento preocupante no Brasil é o da obesidade. Por isso, é automático nos questionarmos: qual é a ligação entre o comportamento sedentário e obesidade? Quais as consequências disso para a qualidade de vida e saúde do indivíduo?

É sobre isso que trataremos neste artigo. Continue lendo para entender mais.

O que caracteriza comportamento sedentário e obesidade?

O comportamento sedentário é classificado como uma condição na qual uma pessoa gasta menos do que aproximadamente 1,5 Kcal/Kg de peso corporal por hora. Tal fator relaciona-se à realização de qualquer atividade diária voluntária. Dentre estas se destacam as atividades em frente às telas (como celulares, tablets e televisores), a posição sentada, a realização de tarefas de casa e outras. 

Sabe-se, hoje, da relação entre o elevado comportamento sedentário e obesidade. Esta não é uma doença de fácil entendimento: muitos fatores se associam ao seu desenvolvimento. Entre eles estão:

  • Fatores genéticos;
  • Aspectos epigenéticos;
  • Condições ambientais;
  • Aspectos comportamentais.

Tudo isso é responsável por mediar respostas bioquímicas e fisiológicas que resultarão em redução da saciedade, da capacidade de oxidação de gorduras, do gasto calórico basal e da elevação do apetite/fome. 

A obesidade está relacionada com a redução da qualidade e expectativa de vida, além de várias doenças crônicas não transmissíveis – mas com impactos sem precedentes à saúde. Apesar disso, o quadro de obesidade não se instala da noite para o dia.

De maneira geral, são necessários vários anos para que uma pessoa em condição de estado nutricional adequado chegue ao sobrepeso e, posteriormente, à obesidade. Vejamos como isso acontece.

A evolução do quadro de comportamento sedentário e obesidade

Vamos, agora, fazer um exercício de imaginação para ilustrar a evolução do quadro de comportamento sedentário e obesidade. Pense em um homem de 70 Kg, com ingestão calórica de 2050 Kcal por dia e gasto calórico de 2000 Kcal por dia. Nesta condição, se observa um superávit calórico de 50 Kcal por dia.

Essa é uma quantia de calorias inofensivas à saúde, se observada de forma aguda. Entretanto, se esse quadro for mantido de forma crônica poderá ser responsável por elevar em aproximadamente 20 Kg o peso corporal do indivíduo em um período de 10 anos. Se o período considerado for de 20 anos e nada for feito, isso pode provocar um aumento de 50 Kg ou mais.

Nesse sentido, temos que o balanço energético positivo crônico é instalado como consequência de um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto de calorias. Esse quadro comumente surge como consequência da redução da atividade física voluntária, ou seja, da prática regular de atividades físicas. 

Os efeitos do comportamento sedentário e obesidade

Agora que já tratamos sobre as principais características do comportamento sedentário e obesidade, bem como a maneira como isso acontece, vamos compreender as consequências disso para a saúde e bem estar o indivíduo. Leia abaixo.

As consequências do comportamento sedentário

A inatividade física e o elevado comportamento sedentário são responsáveis por uma série de aspectos negativos para o corpo do indivíduo, como:

  • A modulação negativa da composição corporal;
  • Redução da sinalização anorexígena;
  • Elevação da sinalização orexígena.

Tais fatores colaboram ainda mais para a busca por ingestão alimentar, a potencialização do balanço energético positivo crônico e o ganho de peso. Ainda, dentre os componentes do gasto calórico total diário temos três pontos principais:

  • A taxa metabólica basal (TMB), que representa o gasto calórico necessário para manter as funções biológicas na condição de repouso;
  • O efeito térmico do alimento (ETA), ou efeito térmico da refeição (ETR), que representa o gasto calórico necessário para metabolizar os nutrientes ingeridos;
  • E o efeito térmico da atividade física (ETA), que representa o gasto calórico relacionado à prática de atividades físicas. 

Ao observar as variações dos componentes do gasto calórico total diário em diferentes composições corporais, não se observam grandes variações na taxa metabólica basal e efeito térmico do alimento. Apesar disso, observamos uma grande redução do efeito térmico da atividade física.

Este aspecto nos permite compreender que o grande vilão do desenvolvimento da obesidade (em grande parte) parece ser o aumento da inatividade física e do comportamento sedentário – impulsionados diariamente pela evolução tecnológica.

As consequências da obesidade

A obesidade, por sua vez, já é considerada uma pandemia e está associada a uma série de patologias cardiovasculares e metabólicas. Entre elas, as principais são:

  • O infarto agudo do miocárdio (IAM);
  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS);
  • Dislipidemias (elevação do triglicérides e lipoproteína de baixa densidade – LDL e redução da lipoproteína de alta densidade – HDL);
  • Diabetes mellitus (DM) tipo II e gestacional;
  • Câncer;
  • Entre outras doenças neurodegenerativas, renais e hepáticas. 

Assim, observa-se que a obesidade pode ser um divisor de águas entre a saúde, qualidade e expectativa de vida e as doenças contemporâneas. Por isso, percebe-se ainda mais claramente a importância de prevenir o surgimento e agravamento de quadros de sobrepeso e obesidade.

Existe alguma solução?

Considerando todo o contexto apresentado, a grande pergunta é: como resolver o problema do elevado comportamento sedentário e obesidade em um mundo apaixonado pelas tecnologias? A resposta, infelizmente, é que não temos como resolver este problema sem a mudança de comportamento individual.

É claro que a indústria farmacêutica lucra milhões por ano com a venda de produtos “emagrecedores”. Alguns até ajudam, mas nenhum possui eficiência a longo prazo. Além disso, tais produtos são responsáveis por diversos efeitos colaterais. Com isso, sabemos que a terapêutica farmacológica deve ser complementar à necessidade de “mudança de vida”.

Mas dentro do que podemos fazer está a orientação com relação à necessidade de abandono dos elevados períodos de comportamento sedentário e inatividade física, bem como da adoção de uma dieta balanceada. Nesse momento, é importante lembrarmos que essas são duas escolhas nada fáceis.

O primeiro ponto esbarra na falta de tempo diária de grande parte da população, o que reflete na baixa possibilidade de adesão da prática regular de atividades físicas a longo prazo. O segundo aspecto que interfere é o fato de que, muito além da simples necessidade de se alimentar, temos um sistema hedônico que nos leva à busca alimentar para fins emocionais – e não apenas fisiológicos.

Por isso, devemos ser firmes e relembrar nossos alunos da importância de evitar adquirir comportamento sedentário e obesidade por consequência, bem como usar a prática de atividades físicas para combater a doença.

Conclusão

Não é novidade que o comportamento sedentário e obesidade são problemas mundiais. Apesar disso, em um mundo que olha apenas para os problemas, devemos olhar para a solução. Todos iremos morrer um dia, isso é inevitável. Apesar disso, entre a primeira inspiração e a última expiração de ar temos uma dádiva chamada vida.

Justamente por ser uma dádiva, ela deve ser vivida com qualidade. Para isso, parece que precisaremos aprender a conviver com a tecnologia sem deixar com que ela nos afete. Mais uma vez, percebemos que a responsabilidade pela qualidade e expectativa das nossas vidas passa pelas nossas escolhas diárias. Não é um processo fácil, mas não temos outra opção.

Por isso, escolhamos sempre a prática regular de atividades físicas e a dieta balanceada. Mesmo sabendo que não somos capazes de comer “certinho” e praticarmos atividades físicas todos os dias, devemos procurar pelas mesmas sempre que possível. Sem dúvida alguma, essa é a melhor escolha que podemos fazer.

Lembre-se sempre: pequenas mudanças fazem uma grande diferença. Pense nisso e comece hoje a viver os melhores dias de suas vidas – e a ajudar seus alunos a alcançarem essa mesma conquista.

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